Não à Galpada
Publicado por JPG, Sábado, 24 de Maio de 2008, às 19:59 |

O alvo poderia perfeitamente ser outro. Porém, a GALP é uma gasolineira nacional, participada pelo Estado português e da qual, por conseguinte, enquanto contribuintes, você e eu somos de alguma forma accionistas.
Ambos sabemos que não existe qualquer motivo objectivo para o preço dos combustíveis em Portugal ser - além de um dos relativamente mais caros do mundo - sensivelmente superior em Portugal àquilo que sucede, por exemplo, em Espanha.
Ambos sabemos também que uma das formas mais “expeditas” de roubar o consumidor/contribuinte é a cartelização* de preços, e de mais a mais quando esta operação de engenharia financeira (ilegal em países tão “fascistas” como os USA ou o Canadá) envolve empresas participadas e afecta todo o tecido produtivo: de uma penada, combinando e inflacionando os preços dos combustíveis - e, por inerência, os de todos os bens de consumo essenciais - as empresas participadas arrecadam lucros fabulosos, por um lado, e o Estado subtrai aos cidadãos (e àquelas empresas) verdadeiras fortunas em impostos, por outro lado, camuflando assim a sua própria inoperância governativa e o descalabro das contas públicas.
Uma das formas de combater a cartelização (preços combinados entre operadores maioritários de um sector económico) é boicotar selectiva e temporariamente um desses operadores. Os prejuízos dessa empresa, rapidamente acumulados, obrigá-la-ão de imediato a baixar unilateralmente os preços que pratica ou a combinar esse abaixamento com as outras empresas do cartel; de uma forma ou de outra, a consequência natural do boicote será - a curto prazo - o recuo dos preços especulativos para níveis verdadeiramente condizentes com as condições do mercado.
Talvez esta iniciativa de boicote à GALP não seja grande ideia; para nós, simples peixinhos, não costuma ser lá muito saudável metermo-nos com tubarões. Talvez suceda que os esqualos das petrolíferas e o polvo do fisco, mais tarde ou mais cedo, contra-ataquem violentamente. Talvez mesmo, a longo prazo, tenhamos de pagar com juros a ousadia de afrontar os mais poderosos dos poderosos.
Mas é isso mesmo que se pretende, com esta campanha: mostrar-lhes que também nós existimos e que, mesmo não passando em conjunto de mero cardume de minúsculas sardinhas, somos ainda assim muitos, imensos, e que somos capazes de fintar bichos grandes, como o mais feroz dos tubarões, ou mesmo grandes matilhas de ridículos carapaus-de-corrida.
Diga não às Galpadas. Não abasteça na GALP.
* Teoricamente, a cartelização é também proibida em Portugal.
Imagem de(?) blog A Barbearia do Sr. Luís.
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Post sobre o site Mais Gasolina (27.03.08)
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