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O telemóvel da Carolina (Michaëlis)

Publicado por JPG, Sexta-feira, 21 de Março de 2008, às 15:00 |

«Competências gerais
À saída da educação básica, o aluno deverá ser capaz de:
(1) Mobilizar saberes culturais, científicos e tecnológicos para compreender a realidade e para abordar situações e problemas do quotidiano;
(2) Usar adequadamente linguagens das diferentes áreas do saber cultural, científico e tecnológico para se expressar;
(3) Usar correctamente a língua portuguesa para comunicar de forma adequada e para estruturar pensamento próprio;
(4) Usar línguas estrangeiras para comunicar adequadamente em situações do quotidiano e para apropriação de informação;
(5) Adoptar metodologias personalizadas de trabalho e de aprendizagem adequadas a objectivos visados;
(6) Pesquisar, seleccionar e organizar informação para a transformar em conhecimento
mobilizável;
(7) Adoptar estratégias adequadas à resolução de problemas e à tomada de decisões;
( Realizar actividades de forma autónoma, responsável e criativa;
(9) Cooperar com outros em tarefas e projectos comuns;
(10) Relacionar harmoniosamente o corpo com o espaço, numa perspectiva pessoal e interpessoal promotora da saúde e da qualidade de vida.»
Transcrito do site NetProf (por sua vez, transcrito do site da DGIDC)

Destas “competências de saída” não consta uma única palavra sobre disciplina.

Mas constam imensas palavrinhas bonitas, expressões chiquérrimas, coisas tão impecáveis como “mobilizar”, “objectivos”, “estruturar pensamento”, “apropriação de informação”, “objectivos visados”, “conhecimento mobilizável” (???), etc. O ponto 10 deste pugrama é um verdadeiro portento de vacuidade pedagógica: “Relacionar harmoniosamente o corpo com o espaço, numa perspectiva pessoal e interpessoal promotora da saúde e da qualidade de vida.”

Lindo. Acho que a protagonista do filme se limitou a cumprir o guião ministerial; no que respeita ao “saber científico e tecnológico” representado pelo seu querido telemóvel, merece nota máxima; nos pontos, 1, 2, 3, 5, 6, 7, 9 e 10, pelo menos, cumpriu na íntegra, é um verdadeiro modelo, merece não apenas nota máxima mas também distinção e louvor.

As cópias deste vídeo têm sido sucessivamente retiradas do serviço YouTube, ao que se sabe devido a alegações (de quem?) de protecção ao “direito de imagem” (de quem?). Diversos serviços noticiosos de estações televisivas nacionais têm reproduzido as imagens com ofuscação das faces dos intervenientes. Algumas cópias em jornais online reproduzem também essa versão “esborratada”, pelos vistos para que se não reconheçam os rostos de pessoas que toda a gente já sabe quem são. O semanário Expresso online reproduz o vídeo na íntegra, conforme o original, sem utilizar qualquer técnica de encobrimento de feições. Assim sendo, e por desconhecer se os referidos intervenientes terão concedido uma autorização exclusiva ao semanário Expresso, o Apdeites publica também uma versão original do filme, não editada e não tratada.
Entretanto, muitas outras cópias (não “empasteladas”) foram já recolocadas no serviço Youtube, por diversos utilizadores geralmente não identificados.

http://www.youtube.com/watch?v=yET0fIlXwOI

Demência 1: “baixinho”
«As imagens do incidente, colocadas ontem a circular no site YouTube, foram filmadas pelo telemóvel de um outro aluno. Têm cerca de uma semana e foram captadas na última aula de Francês do 2.ª período. “Era uma aula livre e a professora autorizou o uso do telemóvel e toda a gente os tinha em cima da mesa. Pedi a uma amiga para ouvir uma música no telemóvel, mas o som estava baixinho”, contou Patrícia.»

Demência 2: “recorrer”
«– O que é que a aluna deveria ter feito para contestar?
– Os alunos também têm direitos e neste caso devia recorrer ao Conselho Directivo da escola
. »

Extractos de demência: notícia de Correio da Manhã.

Categorias: ferramentas, media, liberdade

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1 Comentário

Pingback por O ensino português a nu « perspectivas

Feito Sexta-feira, 21 de Março , 2008 às 17:22

[…] ensino português a nu Arquivado como: educação — Orlando @ 5:18 pm Esta professora deveria receber uma menção honrosa, pela paciência que teve. Se fosse eu o professor, a aluna levaria uma boa estalada — coisa […]

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